Avanços na Medicina Transplantatória

Mais de 60.000 pessoas no Brasil aguardam por um transplante de órgão, sendo o rim o mais procurado entre todos os tipos de transplantes. Dados recentes da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) revelam que o aproveitamento de rins de doadores falecidos no Brasil varia entre 68% e 70%. Isso significa que quase 1/3 dos rins captados não são utilizados para transplante devido a critérios clínicos, anatômicos ou logísticos, reforçando a necessidade urgente de novas estratégias que melhorem a preservação e o aproveitamento dos órgãos disponíveis.

O transplante continua sendo o tratamento mais eficaz para a doença renal crônica, oferecendo maior sobrevida e qualidade de vida em comparação à diálise. Em todo o mundo, hospitais e centros de pesquisa estão em busca de alternativas para aumentar o número de órgãos utilizáveis, incluindo o uso de doadores com critérios estendidos, cujos rins, apesar de viáveis, apresentam um risco maior de complicações após o transplante.

Recentemente, pesquisadores da Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto), com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), realizaram testes com o anakinra, um medicamento já aprovado pela Anvisa para o tratamento da artrite reumatoide. A proposta é reduzir a inflamação em rins de doadores falecidos antes do transplante, o que pode melhorar a função do órgão e, consequentemente, aumentar seu aproveitamento.

O estudo foi reconhecido como o melhor trabalho no Congresso Latino-Americano de Transplantes, realizado em outubro de 2025 no Paraguai, destacando sua relevância científica e o potencial impacto clínico na área de transplante renal. Segundo o pesquisador Mário Abbud-Filho, ?buscamos uma maneira de melhorar a qualidade dos rins doados utilizando uma droga segura, acessível e já aprovada para uso clínico?.

No Brasil, entre 60% e 70% dos pacientes que recebem um rim de doador falecido desenvolvem insuficiência renal aguda temporária logo após o transplante, uma taxa duas vezes maior que a observada na Europa e nos Estados Unidos. Essa diferença está diretamente relacionada ao tempo e às condições em que o órgão é preservado. Para uma melhor compreensão e atuação nessa área crítica da saúde, cursos como Medicina de Tráfego são essenciais para os profissionais que desejam se aprofundar nas práticas médicas contemporâneas.


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